2 novembro, 2015

Como celebrar a vida no Dia de Finados?

Nosso alquimista explica o real significado do Dia de Finados, a importância de poder comemorar e festejar com as pessoas que amamos, e ainda como celebrar da vida com a participação em memória, dos entes queridos que já se foram.

 

Fotos:  Thiago Soraggi

O dia de Finados é uma data criada para honrar e lembrar as pessoas que já faleceram, lembrar as pessoas que já fizeram a passagem pela Terra. No dia dois de novembro, algumas pessoas costumam frequentar cemitérios onde seus entes queridos foram enterrados para levar flores, acender velas e rezar por eles. No Brasil, esse dia, o dia dos mortos, é considerado feriado nacional.

Chamo a atenção para a etimologia da palavra FINADO, oriunda do verbo finar e que tem origem na palavra FINIS (FIM) em latim. Portanto, “finado” pode ser qualificado como um adjetivo utilizado a alguém (ou a algo) que finou, que chegou ao fim, que morreu, que está morto.

Muitas são as formas de celebração, e essas formas dependerão da cultura de cada país, de suas tradições, a exemplo do México, que estendem as celebrações por 3 dias, com direito a desfiles e ruas enfeitadas. Aproveito para deixar uma dica deliciosa de filme de animação, lançada há um ano nos Estados Unidos, intitulada The book of life e que no Brasil chegou traduzido por “Festa no céu”. Vale muito a pena curtir esta maneira divertida de entender um pouco sobre nossa passagem.

Essa animação conta a história de um grupo de crianças bagunceiras que foram encaminhadas para uma visita guiada num museu, numa espécie de “punição” pelo mau comportamento. Lá, elas são recebidas por uma guia um tanto diferente que resolve fazer um caminho alternativo pelo museu. Logo de início, ela apresenta o “Livro da Vida”, um livro que contém diversas histórias. A mais simbólica delas é baseada nas tradições mexicanas envolvendo os três mundos: a Terra dos Lembrados, a Terra dos Esquecidos e a Terra dos Vivos. E por esse viés, uma linda história se desenvolve até chegar ao fim (que não vou contar aqui!).

Nos últimos anos, o fenômeno da morte tem sido tema de muitas publicações, dando lugar às mais diversas especulações e afirmações referentes à vida após a morte.

Percebo, porém, que, no mundo ocidental, o tema “morte” é ainda considerado um tabu, de difícil aceitação, algo parecido com o que ocorre com o tema “sexo”. Acredito que esse tabu se estabelece pois ambos os temas são considerados, inconscientemente, canais de entrada (sexo) e de saída (morte) do planeta Terra.

Ao pensarmos e tentarmos discutirmos questões como essas, temos que automaticamente parar para refletir nas três grandes perguntas que envolvem o despertar e a ampliação de nossa consciência, que são as questões existenciais: de onde viemos (se viemos)? Quem somos (se somos)? E para onde vamos (se vamos)?

Embora nem todos estejam preparados para entrar numa busca tão profunda, para responder a estas questões é necessário entrarmos em processos de autoconhecimento, de revisão da autoestima (autocuidado = cuidado consigo mesmo) e de autoresponsabilidade (pelas nossas escolhas, pelas nossas ações, ou seja, por nossas vidas).

Não por acaso, William Ernest Henley, ao nos brindar com o poema Invictus, em que descreve sua “caminhada” dolorosa e sombria, finaliza afirmando: “eu sou o mestre e senhor do meu destino; eu sou o comandante da minha alma”.

No entanto, um alerta: para nos tornarmos mestres e senhores de nossos destinos e comandantes de nossas almas, é preciso também avaliarmos se estamos honrando nossa estadia por aqui. Honrando nossa vocação, nossa missão, nosso predestino. E para tanto, é preciso entrar em nossas questões mais profundas, obscuras e possivelmente dolorosas. É preciso nos fortalecermos para nos olharmos de frente. Aceitando e acolhendo quem somos e para que viemos.

Tenho percebido no dia-a-dia, seja nos meios de comunicação, nas redes sociais ou, em especial, nos processos alquímicos nos meus consultórios, um número cada vez maior de pessoas desconectadas de seus propósitos, de suas missões. Como consequência, desenvolvem sintomas, doenças das mais variadas, tornando-se pessoas tristes, frustradas, depressivas, ansiosas, simplesmente como resultado da forma como veem a vida e o mundo e, automaticamente, por permitirem que suas almas se desconectem de si mesmas.

Há pessoas que ainda acreditam que todos os problemas de suas vidas estão fora, no exterior de suas próprias existências, consciências e responsabilidades. Culpam por sua vida e seus problemas, o “sistema”, o Estado, o síndico do seu condomínio, o vizinho, o chefe, o (a) companheiro(a). O culpado é sempre o outro. O “problema está sempre fora”.

Nunca se permitem amadurecer e despertar para a realidade de que toda a responsabilidade pela forma como desenrolam e vivem suas vidas está em suas mãos, em suas escolhas, em suas ações, está na forma como veem e vivem a vida e o mundo.

Portanto, nesse dia de finados, eu os convido para finar essa visão de mundo retrógrada, limitada, finita. Chegou a hora de celebrar e honrar a vida eterna das pessoas que já passaram por aqui, chegou a hora de celebrar e honrar as nossas vidas enquanto temos a oportunidade de estarmos passando por aqui. Nesse dia, eu os convido para celebrar e honrar o AMOR, porque amar é sentir que o outro não morrerá jamais, apenas se afastará por um instante…


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